---
type: article
slug: programar-a-boss-gt-1-com-ia-parte-1
title: "Programando a Boss GT1 com AI"
summary: |
  Construí o GT Pilot pra programar a BOSS GT-1 conversando com IA (Claude e ChatGPT). Nesta primeira parte, as evidências de que o problema existe e a reação de quem tem a pedaleira.
date: 2026-10-09
updated: 2026-10-30
heroImage: /images/articles/obj-pedaleira-hero.webp
tags:
  - design
  - ia
  - decisão
---

Meu professor de guitarra, o Fábio, me indicou a BOSS GT-1, uma pedaleira de 2016 que simula amplificadores e dezenas de efeitos. Ela faz quase tudo. O difícil é chegar lá: são centenas de ajustes espalhados em menus com nome de equipamento.

Passo o dia desenhando interfaces, então entendi a lógica rápido. E vi para quem ela foi feita: quem já pensa como técnico de som. Quem só quer tocar uma música costuma ficar no som de fábrica.

Eu não queria aprender o nome de cada botão. Queria pedir o som.

Este é o primeiro de dois textos sobre o GT Pilot, a ferramenta que saiu disso. Aqui conto o caminho entre um incômodo pessoal e os primeiros sinais de que o problema existe para mais gente e de que a ideia é bem recebida. O segundo vai tratar do que vem depois do interesse: a jornada de uso e se as pessoas voltam a usar.

## Os dois primeiros dias

O app oficial da BOSS guarda num arquivo o mapa de todos os ajustes da pedaleira. Com esse mapa, o Claude conseguiu ler e mudar qualquer parâmetro pelo cabo USB.

Pedi um timbre, ele mandou os comandos, toquei e disse que não tinha mudado. Tinha. Conferi as mensagens trocadas com a pedaleira e eram idênticas às do app oficial, só que a mudança era sutil demais para quem esperava ouvir diferença. Mesmo com tudo certo, eu já estava desconfiando da ferramenta. Por isso a primeira mudança passou a ser grande o bastante para ouvir, e o nome do timbre passou a aparecer no visor na hora.

![A GT-1, de 2016, ligada no Mac pelo cabo USB](/images/articles/pedaleira-gt1-mac.webp)

No segundo dia, pedi para salvar um timbre e o Claude gravou por cima do Iron Man que eu tinha montado na véspera. Eu tinha backup e recuperei, mas ficou claro que não dava para depender do cuidado do modelo. Salvar passou a ter três passos que o código não deixa pular: mostrar o que está no lugar, esperar confirmação e guardar uma cópia do anterior. O volume ganhou uma regra parecida depois de um pedido que veio alto demais, e hoje nenhum ajuste sobe mais de 15 pontos por vez.

Nenhum pedido meu tinha nome técnico. Eram frases como "quero o solo de Knee Socks", "faltou drive", "tá esquisito" e "abaixa, vizinhos". O trabalho da ferramenta é traduzir isso num ajuste pequeno e contar o que mudou. Quando eu disse "tá sujo", ele mexeu só no redutor de ruído e deixou o resto do timbre como eu tinha aprovado.

Duas semanas depois, testei com o Fábio. Montamos três timbres conversando: Comfortably Numb, Sunday Bloody Sunday e Rosanna. No U2 ele achou o som limpo demais, o Claude subiu o ganho do amplificador e chegamos lá.

Até ali, era uma ferramenta que funcionava para duas pessoas na mesma sala. A pergunta seguinte era se o problema existia fora dela.

## O problema não é só meu

Antes de divulgar, procurei quem já tentava resolver isso, e encontrei bastante coisa.

Num fórum grande de guitarra, alguém perguntava como chegar no timbre do solo de Stairway to Heaven com uma Les Paul, um Marshall e uma GT-1. Era o mesmo pedido que eu fazia ao Claude, escrito por alguém que nunca tinha ouvido falar de mim.

Existem sites com mais de cem patches de GT-1 montados à mão, separados por música e artista, e canais que vendem pacotes de timbres prontos. As pessoas garimpam e pagam para chegar no som de uma música.

A fabricante de outra pedaleira lançou neste ano um recurso com a mesma ideia: você descreve o timbre e o preset vai direto para o aparelho. Encontrei também um projeto aberto que gera arquivos de preset para a sucessora da GT-1, um app de celular em teste para controlar a GT-1 e uma pessoa que comentou no meu post que está construindo algo parecido.

Gostei de não ser o primeiro. Várias pessoas atacando o mesmo problema por caminhos diferentes é um sinal de que ele existe. O que o GT Pilot faz de diferente é ajustar a pedaleira enquanto você toca, com cópia de segurança e desfazer, em vez de gerar um arquivo para importar depois.

## Mostrando pra quem tem a pedaleira

Em meados de outubro, postei em quatro grupos de donos de GT-1 no Facebook, em português e em inglês, procurando gente para testar.

No grupo maior, em inglês, a primeira reação foi uma pergunta: "Is this real?". Respondi que tinha feito para a minha própria GT-1 e que era grátis, e a conversa mudou a partir daí. Um engenheiro de software escreveu que a ideia era incrível e sugeriu uma versão web. Outra pessoa comentou "Impressive". No grupo brasileiro, alguém respondeu que ia testar porque tinha a pedaleira. O post em inglês juntou 18 reações e 13 comentários, num grupo que hoje recebe cerca de um post por mês.

![Comentários no grupo BOSS GT-1 Users, com nomes e fotos borrados](/images/articles/gt-pilot-comentarios-grupo.webp)

Depois rodei anúncios pequenos no Facebook e no Instagram por cerca de dez dias, com verba de teste. Foram pouco mais de dez mil impressões, algumas centenas de cliques e umas três dezenas de pessoas deixando o e-mail. O anúncio que mais trouxe gente não falava de recurso. Dizia só "quero o timbre do solo de Stairway". Os anúncios por estilo musical e a versão para fora do Brasil renderam menos.

## O que as pessoas pediram

O mais útil veio sem eu perguntar. Os pedidos não eram por funções novas, e sim pelo mesmo produto, no contexto de cada um.

Mais da metade das inscrições pedia Windows. Nos comentários apareceram celular, iOS, Android e web. Na planilha e por e-mail apareceram outras pedaleiras da BOSS, como GT-1000, GT-100 e Katana. Algumas pessoas pediram para usar com o ChatGPT.

Tratei esses pedidos como fila de trabalho. A versão de teste para Windows saiu primeiro. O primeiro testador mandou um print de erro, a correção saiu no mesmo dia, e depois veio a confirmação de que a pedaleira foi reconhecida. Num retorno de outro testador, no Windows 11, a ferramenta "funcionou muito bem" e surpreendeu pelo quanto ajudou a configurar. Em seguida vieram o plugin para o ChatGPT e um suporte inicial à GT-100, que ainda espera um aparelho para ser testado.

## Onde estou

São perto de 60 inscrições e mais de 80 downloads em três semanas. O problema existe para mais gente, e quem tem a pedaleira entende a proposta rápido e quer usar no próprio computador e no próprio modelo.

Isso valida o interesse, mas ainda não o produto. A maioria das pessoas chega pelo celular, e a ferramenta precisa de computador, cabo, o app da BOSS instalado e uma assinatura de IA. O uso que consigo medir ainda é baixo, e não sei quantas pessoas voltam para uma segunda sessão.

A parte 2 é sobre isso: o caminho entre o clique e o segundo uso, e o que aprendo quando começar a observar pessoas usando.
